sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O Diabo não tem poder suficiente

Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão. O poder que o Pai me deu é maior do que tudo, e ninguém pode arrancá-las da mão dele. Eu e o Pai somos um. (Jo 10.28-30)

Ninguém é tirado à força de Jesus e todo aquele que diz o contrário é mentiroso. O Diabo, inimigo feroz, não tem poder nenhum sw a própria pessoa não permitir. O Senhor é quem diz isto.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Talvez...

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).

A paz do Senhor esteja com todos vocês.

Talvez...

Queridos irmãos em Cristo.
A paz do Senhor seja com todos vocês.

Em Is 6.1-13, que é um dos textos lidos no período de Quaresma, Deus chama o profeta para sua missão. Junto com o chamado, Deus dá a mensagem a ser pregada.
Se vocês bem lembram, a mensagem era dura: “‘Vocês podem escutar o quanto quiserem, mas não enxergarão nada.’ Isaías, faça com que esse povo fique com a mente fechada, com os ouvidos surdos e com os olhos cegos, a fim de que não possam ver, nem ouvir, nem entender.” (Is 6.9-10).
A função de Isaías era ser o profeta anunciando o castigo. Não um castigo do qual ainda houvesse escapatória, mas o castigo iminente.
Essa mensagem foi dada cerca de 750 anos a.C. E depois dessa mensagem, Israel caiu. O país foi destruído.
Primeiro o Reino do Norte, caiu diante dos Assírios, em 721 a.C. E Isaías viu a queda.
130 anos depois, caiu também o reino do sul. Judá foi conquistada pela Babilônia.
Cumpriam-se assim as profecias de que o povo perderia sua terra. Pois esse povo tinha quebrado a aliança com Deus. E mesmo Deus enviando profeta após profeta, o povo resistiu e não voltou para Deus.

E hoje, queremos estudar o texto de Joel, capítulo 2, versículos 12 a 19. Um texto que se passa em outro período. Cerca de 400 anos a.C. Mais ou menos 300 anos depois de Isaías.
Judá voltava do exílio e muitos trabalhavam na reconstrução to Templo, e de tudo mais que tinha sido destruído. Pouco a pouco as pessoas voltaram. Reconstruíram o país e suas vidas.
A mensagem de Joel vem quando o povo já estava há um bom tempo de volta. E pelas palavras do profeta se pode perceber que o povo já estava se afastando de Deus novamente.
Parece que já tinham esquecido o tempo de exílio. O tempo em que tinham saudades do templo e de andar pela sua própria terra. Agora, de volta, pelo poder de Deus, o povo esquece do passado e, em meio à alegria de estar em casa, se afasta do Senhor novamente.
Então a missão de Joel é anunciar que o povo se arrependa. Pois se eles voltarem para o Senhor, o castigo, que já começou, será terminado.
Notem a diferença entre Joel e Isaías.
Isaías anunciou um castigo iminente, enquanto Joel diz que ainda há salvação. Pois se o povo voltar à aliança com o Senhor, o Senhor o abençoará novamente.
E Joel traz uma mensagem de chamado ao arrependimento e ao compromisso com Deus: “voltem para mim com todo o coração” (v. 12).
E o profeta ainda lembra: “Voltem para o Senhor, nosso Deus, pois ele é bondoso e misericordioso; é paciente e muito amoroso e está sempre pronto a mudar de ideia e não castigar.” (v. 13).

É muito importante meditarmos com este texto. Uma vez que acabamos de passar pelo Carnaval e agora estamos no período de Quaresma.
Para muitos o Carnaval é a oportunidade de colocar máscaras e se esconder na multidão. Não é aquele Carnaval do sambódromo, onde as pessoas fazem de tudo para aparecer e conseguir alguma fama.
Para muitos o Carnaval é oportunidade de colocar uma máscara e se entregar ao pecado. Mesmo que a máscara seja apenas uma viagem para onde ninguém nos conhece.
A máscara tem o intuito de esconder a pessoa. Bandidos usam máscaras. Ou agem no escuro, para não serem vistos. Muitos cristãos, mascaram o coração, pensando poder se esconder de Jesus. Assim como fez Jonas, que para fugir da tarefa de Deus, escondeu-se num navio que ia justamente para o lado contrário, de onde Deus o mandou ir pregar arrependimento.
Quantas vezes queremos fugir de Deus para não ouvir que somos pecadores! Quantas vezes queremos mascarar nossos corações! Quantas vezes, em silêncio, deixamos o pecado nos dominar!...
Muitas.
E se persistimos no pecado, estamos quebrando a aliança com Deus. Não a Antiga Aliança, firmada na promessa do Messias, mas a Nova Aliança, firmada no Sangue do Messias.
O chamado de Joel não é apenas para os Judeus. É especialmente para nós. E nada é mais importante que o chamado a Deus.
Vejam quanta ênfase o Senhor apresenta a Joel, para que ele diga ao povo:
“rasguem o coração”, não apenas as roupas. É uma mudança interna, não apenas externa, como fazem muitos, fingindo arrepender-se.
“Toquem as trombetas no monte Sião” ... “convoquem o povo para se reunir no Templo!” (v. 15) É pra todo mundo saber e todo mundo está convocado, não simplesmente convidado. Não é hora de falso arrependimento. Aliás, aquele onde habita o Espírito Santo, não pode ter falso arrependimento.
O chamado é tão importante, que todos devem vir:
“Reúnam todo o povo... Que venham todos, velhos e crianças e até criancinhas de peito! Que os recém-casados saiam de casa.” (v. 16) Ninguém deve ficar de fora, nem mesmo quem tenha alguma dificuldade, seja ela velhice, casamento, ou pouca idade. Todos devem se apresentar.
E o chamado mais duro é aos sacerdotes. Eles intercederão em favor de todo o povo. Assim, o Senhor, “talvez” (v. 14) mude de ideia e não mande mais o castigo.

Num primeiro momento a palavra “talvez” pode causar estranheza. Afinal pra que Deus pede arrependimento se ele, só “talvez” vai mudar de ideia?
É que o povo estava tão contaminado, que esta pode ser a última mensagem antes do castigo pior. Pois já havia castigo nas colheitas e na vida cotidiana. Se o povo se arrepender e voltar ao Senhor, “talvez” ele desista do castigo.

Se pode parecer duro este “talvez”, por outro lado, vemos quão grande é a misericórdia do Senhor. Pois o povo tinha voltado do Exílio. Tinha reconstruído o país, e, em vez de fidelidade, eles dão as costas para Deus, indo atrás de outros deuses.
O que esse povo merece? Castigo.
Mas não...
Deus ainda manda os profetas e diz o que fazer para que o castigo pare. E, ouvindo o chamado de Joel, o povo volta ao Senhor.
Então entendemos a grande misericórdia do Senhor, pois nosso texto, lido hoje, termina assim: “Então o Senhor mostrou o seu grande amor para com a sua terra e teve pena do seu povo. E respondeu: ‘Agora, vou lhes dar cereais, vinho e azeite; assim vocês comerão e ficarão satisfeitos. Nunca mais deixarei que os outros povos caçoem de vocês.” (vv. 18-19)
E quanto a nós!
O que é preciso acontecer para que andemos sempre com o Senhor?
Ele está chamando: voltem do seu pecado, corrijam a vida e andem no meu caminho.
Creiam em Jesus Cristo, que se sacrificou para que vocês tenham a salvação e ressuscitou para que tenham a vida eterna.
E para isso ele enviou o Espírito Santo, como prometido pelo próprio profeta Joel:
“eu derramarei o meu Espírito sobre todas as pessoas: os filhos e as filhas de vocês anunciarão a minha mensagem; os velhos sonharão, e os moços terão visões. Até sobre os escravos e as escravas eu derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (vv. 28-29).
E isso tudo se cumpriu quando o Senhor Jesus veio ao mundo.
Portanto, queridos irmãos, não se afastem do Senhor, pois todos que creem em Cristo receberam o Espírito Santo. E as obras de arrependimento que o Senhor espera de nós, são guiadas pelo Espírito.
Rasguem o coração e voltem para Deus.
Pois assim o Senhor, não apenas “talvez” lhe dará a salvação, mas a salvação já é de todo aquele que crê em Jesus Cristo, nosso salvador. Amém.



E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

sábado, 6 de fevereiro de 2016

É preciso descer - Mt 17.1-9

O texto de Mateus descreve um acontecimento sem precedentes e que jamais se repetiu.
Aparecem juntos Moisés e Elias, que já estavam com Deus na vida eterna, mas descem para falar com Jesus.
Sempre que leio este texto, uma atitude se destaca.
A atitude de Pedro, no versículo 4: “Então Pedro disse a Jesus: Como é bom estarmos aqui, Senhor! Se o senhor quiser, eu armarei três barracas neste lugar: uma para o senhor, outra para Moisés e outra para Elias.”

Estava acontecendo algo fantástico.
Estavam ali, na frente dos apóstolos, os três grandes profetas bíblicos: Moisés (que livrou o povo da escrevidão), Elias (que livrou o povo da idolatria) e o próprio Cristo, que além de profeta era também o Salvador.
Então parece que o mundo, com seus problemas, tinha desaparecido.
Não importava mais.
Ali não havia preocupações com as perseguições, com os judeus que queriam prender Jesus.
Ali era o céu na terra, como a gente diz.
E quando é que a gente diz que o céu está na terra?
Quando as coisas são tão boas que não há o que possa explicar.
É uma sensação até difícil de descrever.
Talvez algo que traduza esta sensação seja pegar um filho nos braços pela primeira vez.

Vi uma reportagem esta semana em que uma grávida descobriu que tinha contraído zika vírus…
Ela relatou o terror que sentiu. O medo de perder seu bebezinho. O medo de ele nascer com algum problema de saúde ou outro sintoma físico…
Ela, com muito medo, foi fazendo os exames, constatando que tudo estava bem com seu bebê. E ela disse que já está bem aliviada.
Mas eu tenho certeza que no momento que ela pegar seu filho no colo, a sensação dela será a de ter o céu na terra…

Pedro estava ali. Fascinado. Maravilhado. E não é pra menos.
Acredito que nós ficaremos assim quando Jesus aparecer descendo nas nuvens. Não haverá palavras para descrever a felicidade de ver as promessas de Deus cumpridas.
E Pedro ouve o próprio Deus afirmando que Jesus era o Messias...

Os apóstolos querem ficar ali, mas não podem. Ainda não. Ainda havia muito a ser feito.
Por isso Jesus diz: “Levantem-se e não tenham medo!”
Era hora de descer. Era hora de voltar para o mundo, onde certamente encontrariam dificuldades. Mas Jesus vai junto. Ele não os manda sozinhos. Ele vai junto.

Este texto nos lembra que na presença de Deus sempre estaremos seguros. Sempre acontecerão coisas fantásticas. Aprenderemos mais da sua palavra para nossa orientação e conforto.
Mas este texto também nos dá uma tarefa: descer da montanha.
É legal estarmos em nossos cultos, retiros, congressos.
Temos boa companhia de cristãos que têm a mesma fé que nós. Cantamos, nos divertimos, nos emocionamos. Aprendemos mais sobre o amor de Deus por nós.
Mas ainda é preciso descer.
Precisamos voltar para o mundo. Para nossa vida cotidiana.
Porque é no mundo que vamos desenvolver a tarefa que foi dada por Jesus: “levar a sua Palavra para salvar as pessoas”.
No mundo teremos perseguições.
No mundo teremos dias difíceis e alguns deles muito difíceis.
No mundo haverá pessoas que não querem saber de nós, nem do amor de Deus.
Mas Jesus, como esteve junto com os apóstolos, continua junto conosco. O Espírito Santo nos auxilia sempre que precisamos de palavras para falar do amor de Deus.
Temos o batismo e a Santa Ceia para nos ajudar a estarmos sempre preparados para enfrentar o mundo.

Estar no alto do monte é muito legal e um dia estaremos lá para sempre. Junto de Deus e de todos que já estão lá. Porque todos que creem em Jesus, estarão lá.
Mas hoje ainda estamos no mundo.
Enquanto estamos no mundo podemos falar de Jesus para todos.
E falamos mais com as nossas ações do que com as nossas palavras. As pessoas veem o que fazemos. Veem nosso exemplo.
Nossos filhos veem nossa vida e imitam. Por isso, é preciso sempre, de novo, subir o monte, ou seja, voltar à Palavra de Deus, à Igreja, aos grupos de estudo bíblico.
E ali, fascinados pela presença de Deus, somos preparados para descer o monte e testemunhar com palavras e ações. Testemunhando que todos que creem e vivem para Jesus terão a vida eterna.
E aí, subiremos de uma vez por todas, para o banquete da vida eterna.

Amém.

Mt 17.1-9
Transfiguração de Jesus
Nova Venécia, Castelo Forte, 20160206-1900

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O Catecismo Menor

Aqui, texto extraído da seguinte página: http://celcre.tripod.com/catecism.htm

Prefácio:
Martinho Lutero, a todos os pastores e pregadores fiéis e piedosos. Graça, misericórdia e paz em Jesus Cristo, nosso Senhor.
A lamentável e mísera necessidade experimentada recentemente, quando também eu fui visitador, é que me obrigou e impulsou a preparar este catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias. E, infelizmente, muitos pastores são de todo incompetentes e incapazes para a obra do ensino. Não obstante, todos pretendem o nome cristãos, estão batizados e fazem uso dos santos sacramentos. Não sabem nem o Pai-Nosso, nem o Credo, nem os Dez Mandamentos. Vão vivendo como os brutos e os irracionais suínos. E agora que veio o evangelho, é que aprenderam bem a abusar magistralmente de toda liberdade. Ó bispos, como havereis de responder perante Cristo pelo fato de haverdes negligenciado tão vergonhosamente o povo e por não haverdes jamais cumprido por um momento o vosso ofício? Que não vos alcance a desgraça! Proibis uma das espécies e insistís em vossas leis humanas, mas entrementes não vos tomais de nenhum cuidado sobre se conhecem o Pai-Nosso, o Credo, os Dez Mandamentos ou qualquer palavra de Deus. Ai de vós eternamente!
Por isso rogo a todos vós, pelo amor de Deus, meus queridos senhores e irmãos que sois pastores ou pregadores, que vos devoteis de coração ao vosso ofício, vos apiedeis do povo confiado a vós e nos ajudeis a inculcar o catecismo às pessoas, tomem estes livrinhos e formas e leiam-nos, palavra por palavra, ao povo, fazendo que esse repita as palavras da maneira seguinte:
Em primeiro lugar, tenha o pregador acima de tudo o cuidado de evitar textos e formas diversos ou divergentes dos Dez Mandamentos, do Pai-Nosso, do Credo, dos Sacramentos, etc. Tome, ao contrário, uma única forma e a ela se atenha e a incuta sempre, ano após ano. Porque pessoa jovens e simples devem ser ensinadas com um texto uniforme e fixo, pois de outro modo facilmente ficam embaralhadas, se hoje se ensina de um jeito e no ano seguinte de outro, como se a gente quisesse emendar o texto. Perde-se com isso todo o esforço e trabalho. Bem viram isso também os queridos Pais, que, todos, empregaram a mesma forma do Pai-Nosso, do Credo, dos Dez Mandamentos. Por isso também devemos ensinar essas partes às pessoas jovens e simples de maneira tal, que não desloquemos nem uma sílaba ou apresentemos ou repitamos o texto diferentemente de um ano a outro. Escolhe, por isso, a forma que queres e fica com ela. Agora, quando pregas aos doutos e inteligentes, aí então podes mostrar a tua erudição, tornando essas partes tão multiformes e dando-lhes torneios tão magistrais quanto alcance o teu engenho. Com as pessoas jovens, entretanto, atém-te a uma forma e maneira permanente e fixa, e ensina-lhes primeiro que tudo, estas partes: os Dez Mandamentos, o Credo, etc., segundo o texto, palavra por palavra, de forma que também o possam repetir assim e decorar.
Mas àqueles que não o querem aprender, diga-se lhes como negam a Cristo e que não são cristãos. Também não devem ser admitidos ao sacramento, não devem ser admitidos como padrinhos em batismos, nem fazer uso de qualquer parte da liberdade cristão, senão que devem ser entregues ao papa e a seus oficiais, e além disso ao próprio diabo. Ademais, devem negar-lhes comida e bebida os pais e os amos e comunicar-lhes que tal gente rude o príncipe expulsará de sua terra, etc.
Pois, ainda que a ninguém se pode nem se deve obrigar à fé, todavia importa insistir e urgir com o povo para que saiba o que é justo e injusto entre aqueles com quem querem morar, alimentar-se e viver. Pois quem quer morar em uma cidade tem a obrigação de conhecer e observar suas leis, cuja proteção deseja gozar, qualquer que seja o seu caso: quer creia, quer seja, no coração, em particular, um malvado ou patife.
Segundo. Quando já conhecem bem o texto, ensina-lhes também o sentido, para que saibam o que significa, e toma de novo a explanação deste livrinho, ou alguma outra exposição breve e fixa a teu critério, e permanece nela, não lhe modificando nem uma sílaba, tal como se acabou de dizer quanto ao texto. E toma tempo para isso. Pois não é preciso que trates todas as partes de uma tirada, mas uma após outra. Depois de entenderem bem o primeiro mandamento, toma o segundo, e assim por diante. Em caso contrário, ficarão abarrotados, de sorte que não vão reter bem a nenhum.
Terceiro. Quando lhes tiveres ensinado este breve catecismo, toma o catecismo maior e dá-lhes também conhecimento mais rico e mais amplo. Aqui expõe cada mandamento, petição e parte, com suas diversas obras, proveitos, benefícios, perigos e danos, como encontras tudo isso ricamente em tantos livrinhos escritos a respeito. E martela especialmente no mandamento e parte em que haja maior negligência entre o teu povo. Por exemplo, o sétimo mandamento, do furtar, deve ser enfaticamente repisado entre artesãos e comerciantes, como também entre camponeses e servos. Porque entre tal gente há grande cópia de toda espécie de infidelidade e furto. Da mesma forma deves enfatizar o quarto mandamento entre as crianças e pessoas comuns, para que sejam ordeiras, fiéis, obedientes, pacíficas, e importa que sempre aduzas muitos exemplos da Escritura onde se mostre que Deus castigou e abençoou tais pessoas.
Aqui também deves insistir particularmente com as autoridades e os pais, para que governem bem e levem os filhos à escola, mostrando-lhes porque é sua obrigação fazê-lo e que pecado maldito cometem se não of azem. Pois com isso derrubam e assolam tanto o reino de Deus como o reino do mundo, como os piores inimigos de Deus e dos homens. E frisa bem que horrível dano causam, se não cooperam na educação de crianças para serem pastores, pregadores, notários, etc., de sorte há de infligir medonho castigo. Pois é necessário pregar sobre essas coisas. Os pais e governantes pecam nisso agora de maneira indizível. O diabo também leva de mira algo de cruel com isso.
Finalmente, como a tirania do papa está removida agora, não mais querem is ao sacramento e o desprezam. Aqui de novo é preciso martelar, entendido, porém, que a ninguém devemos coagir a fé ou ao sacramento, nem determinar lei, tempo ou lugar. Cumpre, isto sim, que preguemos de tal maneira que eles mesmos, sem lei nossa, se impulsionem e como que obriguem a nós pastores a que administremos o sacramento. A maneira de fazer isso é dizer-lhes: Quem não procura nem deseja o sacramento pelo menos umas quatro vezes ao ano, deve temer-se que tal despreza o sacramento e que não é cristão da mesma forma como não é cristão aquele que não crê ou não ouve o evangelho. Pois Cristo não dize: deixai isto, ou desprezai isto, porém: fazei isto, todas as vezes que o beberdes, etc. Ele quer, na verdade, que se faça isto, não que seja inteiramente negligenciado e desprezado. FAZEI isto, diz ele.
Mas, quando alguém não tem o sacramento em alta estima, isto é sinal que essa pessoa não tem pecado, carne, diabo, mundo, morte, perigo, inferno, isto é, não acredita em nada disso, ainda que está metido nisso até às orelhas e é dobradamente do diabo. Por outro lado, também não precisa de nenhuma graça, vida, paraíso, reino dos céus, Cristo, Deus, nem de bem algum. Pois se cresse que tinha tanto mal e necessitava de tanto bem, não deixaria dessa maneira o sacramento, no qual se remedeia esse mal e tantos bens são dados. Nem seria necessário coagi-lo ao sacramento com qualquer lei; ao contrário, ele viria por si mesmo, apertando o passo e às carreiras, obrigaria a si mesmo e urgiria contigo que lhe deveria administrar o sacramento.
Por conseguinte, ao contrário do que faz o papa, nenhuma lei deves fazer nesse assunto. Limita-te a apresentar bem a utilidade e o dano, a necessidade e os benefícios, o perigo e a bênção ligados a esse sacramento, e então de si mesmos virão, sem coação de tua parte. Se, entretanto, não vierem, deixa-os ir e dize-lhes que são do diabo os que não consideram nem sentem sua grande necessidade e a graciosa ajuda de Deus. Se, porém, não o inculcas, ou se transforma isso em lei e veneno, nesse caso é tua a culpa pelo fato de desprezarem o sacramento. Como não haveriam de ser desmazelados, se tu dormes e calas? Portanto, atentai nisso, pastores e pregadores. Nosso ofício agora se tornou coisa diversa da que foi sob o papa. Agora tornou-se sério e salutar. Razão por que agora envolve muita fadiga e trabalho, perigo e tentação, e, além disso, pouca retribuição e gratidão no mundo. Mas o próprio Cristo quer ser nossa recompensa, se trabalharmos com fidelidade. Que no-lo conceda o Pai de todas as graças, a quem seja louvor e gratidão eternamente, por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Como o chefe de família deve ensiná-los com simplicidade a sua casa:
PRIMEIRO MANDAMENTONão terás outros deuses.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus e confiar nele acima de todas as coisas.
SEGUNDO MANDAMENTONão tomarás em vão o nome de teu Deus.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que em seu nome não amaldiçoemos, juremos, pratiquemos a feitiçaria, mintamos ou enganemos, porém o invoquemos em todas as necessidades, oremos, louvemos e agradeçamos.
TERCEIRO MANDAMENTOSantificarás o dia do descanso.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não desprezemos a pregação e a sua palavra, porém a consideremos santa, gostemos de a ouvir e estudar.
QUARTO MANDAMENTOHonrarás a teu pai e a tua mãe.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não desprezemos nem irritemos nossos pais e superiores, porém os honremos, sirvamos, lhes obedeçamos, os amemos e lhes queiramos bem.
QUINTO MANDAMENTONão matarás.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não causemos dano ou mal algum ao nosso próximo em sua vida, porém lhe ajudemos e o favoreçamos em todas as necessidades da vida.
SEXTO MANDAMENTONão adulterarás.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que vivamos vida casta e decente em palavras e ações, e cada qual ame e honre seu consorte.
SÉTIMO MANDAMENTONão furtarás.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não tiremos ao nosso próximo o dinheiro ou os bens, nem nos apoderemos deles por meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos, porém os ajudemos a melhorar e conservar os seus bens e o seu ganho.
OITAVO MANDAMENTONão dirás falso testemunho contra próximo.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não mintamos com falsidade ao nosso próximo, não o traiamos, caluniemos ou difamemos, porém devemos desculpá-lo, falar bem dele e interpretar tudo da melhor maneira.
NONO MANDAMENTONão cobiçarás a casa do teu próximo.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não procuremos adquirir, com astúcia, a herança ou casa do próximo, nem nos apoderemos dela sob aparência de direito, etc., porém lhe sejamos de auxílio e serviço para conservá-la.
DÉCIMO MANDAMENTONão cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu empregado, nem a sua empregada, nem o seu gado, nem coisa alguma que lhe pertença.
Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneia que não desviemos astutamente, arrebatemos ou alienemos a mulher do próximo, os seus empregados ou o seu gado, porém instemos com eles para que fiquem e cumpram o seu dever.
CONCLUSÃO DOS MANDAMENTOSQue diz Deus de todos esses mandamentos? Ele diz: Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem. Mas faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam meus mandamentos.
Que significa isso? Deus ameaça castigar todos os que transgridem estes mandamentos; por isso devemos temer a sua ira e não transgredi-los. Mas ele promete graça e todo o bem a quantos os guardam. Por isso também devemos amar a ele, confiar nele e de boa vontade agir de acordo com os seus mandamentos.

O Credo:
Como o chefe de família deve ensiná-lo com toda a simplicidade a sua casa.
PRIMEIRO ARTIGOCreio em Deus, o Pai todo-poderoso, CRIADOR do céu e da terra.
Que significa isso? Creio que Deus me criou a mim e a todas as criaturas; e me deu corpo e alma, olhos, ouvidos e todos os membros, razão e todos os sentidos, e ainda os conserva; além disso me dá vestes, calçado, comida e bebida, casa e lar, esposa e filhos, campos, gado e todos os bens. Supre-me abundante e diariamente de todo o necessário para o corpo e a vida; protege-me contra todos os perigos e me guarda e preserva de todo o mal. E tudo isso faz unicamente por sua paterna e divina bondade e misericórdia, sem nenhum mérito ou dignidade de minha parte. Por tudo isso devo dar-lhe faças e louvor, servi-lo e obedecer-lhe. Isto é certissimamamente verdade.
SEGUNDO ARTIGOE em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso SENHOR, o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao inferno, no terceiro dia ressuscitou dos mortos, subiu ao céu, está sentado à direita de Deus, o Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Que significa isso? Creio que Jesus Cristo, verdadeiro Deus, nascido do Pai desde a eternidade, e também verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria, é meu Senhor, que me remiu a mim, homem perdido e condenado, me resgatou e salvou de todos os pecados, da morte e do poder do diabo; não com ouro ou prata, mas com seu santo e precioso sangue e sua inocente paixão e morte, para que eu lhe pertença e viva submisso a ele, em seu reino, e o sirva em eterna justiça e bem-aventurança, assim como ele ressuscitou da morte, vive e reina eternamente. Isto é certissimamente verdade.
TERCEIRO ARTIGOCreio no Espírito Santo, uma santa igreja cristã, a congregação dos santos, a remissão dos pecados, a ressurreição da carne e a vida eterna. Amém.
Que significa isso? Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. Assim como chama, congrega, ilumina e santifica toda a cristandade na terra, e em Jesus Cristo a conserva na fé verdadeira e única. Nesta cristandade perdoa a mim e a todos os crentes diária e abundantemente todos os pecados, e no dia derradeiro me ressuscitará a mim e a todos os mortos, e em Cristo me dará a mim e a todos os crentes a vida eterna. Isto é certissimamente verdade.

Como o chefe de família deve ensiná-lo com toda a simplicidade a sua casa.
Pai nosso, que estás nos céus.
Que significa isso? Deus quer atrair-nos carinhosamente com estas palavras, para crermos que ele é o nosso verdadeiro Pai e nós, os seus verdadeiros filhos, a fim de que lhe roguemos sem temor, com toda a confiança, como filhos amados ao querido pai.
PRIMEIRA PETIÇÃOSantificado seja o teu nome
Que significa isso? O nome de Deus, na verdade, é santo por si mesmo. Mas suplicamos nesta petição que também se torne santo entre nós.
Como sucede isso? Quando a palavra de Deus é ensinada genuína e puramente, e nós, como filhos de Deus, também vivemos uma vida santa, em conformidade com ela; para isso nos ajuda, querido Pai do céu. Aquele, porém, que ensina e vive de modo diverso do que ensina a palavra de Deus, profana o nome de Deus entre nós; guarda-nos disso, ó Pai celeste!
SEGUNDA PETIÇÃOVenha o teu reino.
Que significa isso? O reino de Deus vem, na verdade, por si mesmo, sem a nossa prece; mas suplicamos nesta petição que venha também a nós.
Como sucede isso? Quando o Pai celeste nos dá o seu Espírito Santo, para crermos, por sua graça, em sua santa palavra e vivermos vida piedosa, neste mundo e na eternidade.
TERCEIRA PETIÇÃOFaça-se a tua vontade, assim na terra, como no céu.
Que significa isso? A boa e misericordiosa vontade de Deus, em verdade, é feita sem a nossa prece; mas suplicamos nesta petição que seja feita também entre nós.
Quando sucede isso? Quando Deus desfaz e impede todo mau intento e vontade que nãonos querem deixar santificar o seu nome, nem permitir que venha o seu reino, tais como a vontade do diabo, do mundo e da nossa carne; e quando, por outro lado, nos fortalece e preserva firmes na sua palavra e na fé, até o nosso fim. Essa é a sua graciosa boa vontade.
QUARTA PETIÇÃOO pão nosso de cada dia nos dá hoje.
Que significa isso? Deus, na verdade, também dá o pão de cada dia sem a nossa prece, a todos os homens maus. Suplicamos, porém, nesta petição que nos faça reconhecê-lo e receber com agradecimento o pão nosso de cada dia.
Quando sucede isso? Tudo o que pertence ao sustento e às necessidades da vida, como: comida, bebida, vestes, calçado, casa, lar, campos, gado, dinheiro, bens, consorte piedosa, filhos piedosos, empregados bons, superiores piedosos e fiéis, bom governo, bom tempo, paz, saúde, disciplina, honra, leais amigos, vizinhos fiéis e coisas semelhantes.
QUINTA PETIÇÃOE perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores.
Que significa isso? Suplicamos nesta petição que o Pai celeste não observe os nossos pecados, nem por causa deles recuse as nossas preces; pois somos indignos de toda as coisas que pedimos, nem as merecemos; mas no-las conceda todas por graça, visto pecarmos muito diariamente nada merecermos senão castigo. Assim nós, na verdade, queremos de nossa parte perdoar também de coração, e de boa vontade fazer o bem aos que pecam contra nós.
SEXTA PETIÇÃOE não nos deixes cair em tentação.
Que significa isso? Deus, em verdade, não tenta ninguém; mas suplicamos nesta petição que nos guarde e preserve, para que o diabo, o mundo e a nossa carne não nos enganem, nem nos seduzam a crenças falsas, desespero e outras grandes infâmias e vícios; e ainda que tentados, vençamos afinal e retenhamos a vitória.
SÉTIMA PETIÇÃOMas livra-nos do mal.
Que significa isso? Suplicamos, em resumo, nesta petição que o Pai celeste nos livre de todos os males que afetam o corpo e a alma, os bens e a honra, e, finalmente, quando vier a nossa hora derradeira, nos conceda um fim bem-aventurado e nos leve, por graça, deste vale de lágrimas para junto de si no céu.
Amém.
Que significa isso? e estas petições são agradáveis ao Pai celeste e ouvidas por ele; pois ele mesmo nos ordenou orar desta maneira e prometeu atender-nos. Amém, Amém, isto significa: Sim, sim, assim seja.

Como o chefe de família deve ensiná-lo com toda a simplicidade a sua casa.
PRIMEIROQue é o Batismo? O Batismo não é apenas água simples, mas é a água compreendida no mandamento divino e ligada à palavra de Deus.
Qual é esta palavra de Deus? É a que Cristo Senhor nosso diz no último capítulo de Mateus: Ide por todo o mundo, ensinai a todos os gentios e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
SEGUNDOQue dá ou aproveita o Batismo? Opera a remissão dos pecados, livra da morte e do diabo, e dá a salvação eterna a quantos crêem, conforme rezam as palavras e promessas de Deus.
quais são estas palavras e promessas de Deus? São as que Cristo Senhor nosso diz no último capítulo de Marcos: Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer, será condenado.
TERCEIROComo pode a água fazer coisas tão grandes? A água, em verdade, não as faz, mas a palavra de Deus que está unida à água, e a fé que confia nesta palavra de Deus unida com a água. Pois sem a palavra de Deus, a água é simplesmente água e não batismo. Mas com a palavra de Deus a água é Batismo, isto é, água de vida, cheia de graça, e um lavar de renascimento no Espírito Santo, como diz Paulo na Carta a Timóteo, no capítulo terceiro: Mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por sua graça, sejamos herdeiros da vida eterna, segundo a esperança. Isto é certissimamente verdade.
QUARTOQue significa esta imersão em água? Significa que o velho homem em nós, por contrição e arrependimento diários, deve ser afogado e morrer com todos os pecados e maus desejos, e, por sua vez, sair e ressurgir diariamente novo homem, que viva em justiça e pureza diante de Deus eternamente.
Onde está escrito isso? Paulo diz em Romanos, capítulo sexto: Fomos sepultados com Cristo na morte, pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.

Que é a confissão? A confissão compreende duas partes: primeiro, que confessemos os pecados; segundo, que se receba a absolvição ou remissão do confessor como de Deus mesmo, sem duvidar de modo algum, mas crendo firmemente que por ela os pecados são perdoados perante Deus no céu.
Que pecados devemos confessar? Perante Deus devemos confessar-nos culpados de todos os pecados, também dos que ignoramos, como fazemos no Pai-Nosso. Mas perante o confessor devemos confessar somente os pecados que conhecemos e sentimos no coração.
Quais são esses? Considera aqui o teu estado à luz dos Dez Mandamentos, se és pai, mãe, filho, filha, patrão, patroa, empregado; se foste desobediente, infiel, indolente, irado, insolente, contencioso; se fizeste mal a alguém com palavras ou ações; se furtaste, foste omisso, negligenciaste, cometeste dano.
Por favor, dá-me uma breve forma de confessar. Falarás ao confessor assim: Venerável e caro senhor, rogo-vos ouvir missa confissão e declarar-me o perdão de Deus. Eu, pobre pecador, confesso-me perante Deus de todos os pecados. Particularmente, confesso diante de vós que sou empregado, empregada, etc., mas, lamentavelmente, sirvo infielmente ao meu senhor, pois aqui e acolá não fiz o que ordenaram, encolerizei-os e os movi a maldizerem, fui omisso e permiti que ocorressem danos. Também fui impudico em palavras e atos, tenho rixado com os meus iguais, tenho murmurado e praguejado contra aminha patroa, etc. Tudo isto eu deploro e peço mercê. Quero emendar-me.      Um patrão ou patroa dia assim: Particularmente confesso perante vós que não eduquei fielmente para a glória de Deus os meus filhos, empregados, mulher. Praguejei, dei maus exemplos com palavras e atos indecorosos, fiz dano ao meu vizinho, falei mal dele, vendi caro demais, dei mercadoria falsificada e não em medida íntegra. E o mais que houver praticado contra os mandamentos de Deus e o seu estado, etc.
       Mas se alguém não se sente carregado com tais pecados ou outros, maiores, esse não se deve preocupar ou procurar ou inventar pecados, fazendo com isso da confissão um martírio, porém mencionar um ou dois de que tenha consciência. Desta maneira: Confesso, especialmente, ter-me acontecido que praguejei. Da mesma forma: Certa vez usei palavras grosseiras, fui desleixado nisso ou naquilo, etc. E considere isto como suficiente.
       Se, porém, não tens consciência de nenhum pecado (o que decerto não deve ser possível), neste caso não menciones nenhum em particular, mas recebe o perdão com a confissão geral que fazes perante Deus na presença do confessor.
Então dirá o confessor: Deus seja misericordioso para contigo e fortaleça a tua fé. Amém. Dize: Crês que o meu perdão é o perdão de Deus? (o que confessa dirá sim!) Como crês, assim seja contigo. E eu, por ordem de nosso SENHOR Jesus Cristo, perdôo-te os teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Vai em paz.
Saberá o confessor consolar e estimular a fé, com mais passagens, aqueles que sentem grande peso na consciência ou então aflitos e atribulados. Isto aí apenas quer ser um modo comum de confissão para pessoas singelas.

Que é o Sacramento do Altar? É o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, sob o pão e o vinho, dado a nós cristãos, para comer e beber, instituído pelo próprio Cristo.
Onde está escrito isso? Assim escrevem os santos evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e São Paulo: Nosso Senhor Jesus Cristo, na noite em que foi traído, tomou o pão, e, tendo dado graças, o partiu e o deu aos seus discípulos dizendo: Tomais, comei, isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Da mesma forma, depois de cear, tomou também o cálice e, tendo dado graças, deu-lho, dizendo: Tomai e bebei deles todos. Este cálice é o novo testamento no meu sangue, derramado em favor de vós para remissão dos pecados; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.
Que proveito há nesse comer e beber? Isso nos indicam as palavras: Dado em favor de vós e derramado para remissão dos pecados, a saber, que por essas palavras nos são dadas no sacramento remissão dos pecados, vida e salvação. Pois onde há remissão dos pecados, há também vida e salvação.
Como pode o ato físico do comer e beber efetuar tão grandes coisas? O comer e o beber, em verdade, não as podem efetuar, mas sim as palavras: Dado em favor de vós ederramado para remissão dos pecados. Essas palavras, juntamente com o comer e o beber físico, são a coisa mais importante no sacramento. E o que crê nessas palavras, tem o que elas dizem e expressam, a saber, remissão dos pecados.
Quem recebe dignamente esse sacramento? Jejuar e preparar-se corporalmente é, sem dúvida, boa disciplina externa. Mas verdadeiramente digno e bem preparado é aquele que tem fé nestas palavras: Dado em favor de vós e derramado para remissão dos pecados.Aquele, porém, que não crê nessas palavras ou delas duvida, é indigno e não está preparado, pois as palavras por vós exigem coração verdadeiramente crentes.

Como o chefe de família deve ensinar a sua casa a orar de manhã e de noite.
BÊNÇÃO DA MANHà    De manhã, quando te levantas, benzer-te-ás, dizendo: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
     Então, de joelhos ou de pé, dize o Credo e o Pai-Nosso. Se quiseres, podes dizer mais esta pequena oração:
     Meu Pai celeste, graças te dou, por Jesus Cristo, teu amado Filho, por me haveres defendido de todo o dano e de todos os perigos da noite passada, e peço-te que me preserves também neste dia do pecado e de todo o mal, para que todas as minhas ações e a minha vida te agradem. Nas tuas mãos me entrego, de corpo e alma, bem como todas as coisas. Esteja contigo o teu santo anjo, para que o inimigo maligno não tenha poder algum sobre mim. Amém.
     Feito isto, começa o teu trabalho alegremente, cantando um hino, como por exemplo sobre os Dez Mandamentos ou sobre qualquer coisa que a tua devoção te sugerir.
BÊNÇÃO DA NOITE     À noite, quando te recolhes, benzer-te-ás, dizendo: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
     Então, de joelhos ou de pé, dize o Credo e o Pai-Nosso. Se quiseres, podes dizer mais esta pequena oração:
     Meu Pai celeste, graças te dou, por Jesus Cristo, teu amado Filho, por me haveres protegido bondosamente neste dia, e peço-te que me perdoes todos os pecados e o mal que fiz e me protejas por tua graça nesta noite. Nas tuas mãos me entrego, de corpo e alma, bem como todas as coisas. Esteja comigo o teu santo anjo, para que o inimigo maligno não tenha poder algum sobre mim. Amém.
     Feito isto, dorme sem demora e de coração alegre.
ORAÇÕES DA MESA
Antes das Refeições:
     
Os filhos e os empregados achegar-se-ão à mesa com as mãos juntas e reverentemente, e dirão:
     Os olhos de todos esperam em ti, Senhor, e tu lhes dás o seu mantimento a seu tempo. Abres a tua mão e satisfazes os desejos de todos os viventes.
     Depois se dirá o Pai-Nosso e a oração seguinte:
     Senhor Deus, Pai celeste, abençoa-nos a nós e a estes teus dons que de tua bondade recebemos, por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
Após as Refeições:     Igualmente, depois da refeição, dirão, reverentemente e com as mãos juntas:
     Louvai ao Senhor, porque ele é bom, e a sua benignidade é para sempre. É o que dá mantimento a toda a carne, o que dá aos animais o seu sustento, e aos filhos dos corvos, quando clamam. Não se deleita na força do cavalo nem se compraz nas pernas do varão. O Senhor se agrada dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia.
     Depois o Pai-Nosso e a oração seguinte:
     Graças te damos, Senhor Deus Pai, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, por todos os teus benefícios, tu, que vives e reinas para sempre. Amém.

Alguns versículos da Escritura Sagrada para as várias situações e estados da vida dos cristãos pelos quais o mesmo deve ser admoestado a respeito dos seus deveres.
AOS PASTORES
     
É necessário que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a sua própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo respeito; não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça, e incorra na condenação do diabo; para que tenha poder, assim para exortar pelo reto ensino como para convencer os que contradizem. (1 Timóteo 3.2,3,4,6; Tito 1.9)
O QUE OS OUVINTES DEVEM AOS SEUS PASTORES     Comei e bebei do que eles tiverem; porque digno é o trabalhador do seu salário (Lucas 10.7).
     Ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho (1 Coríntios 9.14).
     Aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zomba (Gálatas 6.6-7).
     Devem ser considerados merecedores de dobrada honra os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o grão. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário (1 Timóteo 5.17-18).
     Rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós, os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros (1 Tessalonicensses 5.12-13).
     Obedecei aos vossos guias, e sede submissos para com eles; pois velam por vossas almas, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros (Hebreus 13.17).
DO GOVERNO     Todo homem esteja sujeito às autoridade superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador para castigar o que pratica o mal (Romanos 13.1-2,4).
AOS CIDADÃOS     Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mateus 22.21).
     É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem honra, honra (Romanos 13.5-7).
     Antes de tudo exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, par que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador (1 Timóteo 2.1-3).
     Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; que sejam obedientes (Tito 3.1).
     Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja ao rei, como soberano; quer às autoridades como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores, como para louvor dos que praticam o bem (1 Pedro 2.13-14).
AOS MARIDOS
     
Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, por isso que sois juntamente herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam vossas orações. (1 Pedro 3.7)
     E não as trateis com amargura (Colossenses 3.19).
ÀS ESPOSAS
     
Vós, mulheres, sede submissas a vossos próprios maridos, como ao Senhor, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma (Efésios 5.22; 1 Pedro 3.6).
AOS PAIS     Vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor (Efésios 6.4; Colossenses 3.2).
AOS FILHOS     Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra (Efésios 6.1-3).
AOS EMPREGADOS E TRABALHADORES     Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor, e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre (Efésios 6.5-8).
AOS PATRÕES     Vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus, e que para com ele não há acepção de pessoas (Efésios 6.9)
À MOCIDADE EM GERAL     Vós, jovens, sede submissos aos que são mais velhos; outrossim no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte (1 Pedro 5.5-6)
ÀS VIÚVAS     Aquela que é verdadeiramente viúva, e não tem amparo, espera em Deus e preserva em súplica e orações, noite e dia; entretanto a que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta (1 Timóteo 5.5-6).
A TODOS EM GERAL     Amarás ao teu próximo como a ti mesmo (Romanos 13.9).
     Exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens (1 Timóteo 2.1).
Aprendam todos a lição.
     E em tudo em casa bem irão.

Por que memorizar o Catecismo Menor?







































O Catecismo Menor não é apenas informação. Não é teologia sistemática. O Catecismo menor não simplesmente diz alguma coisa qualquer. O Catecismo faz algo. E faz isto para nós.
Os subtítulos em um livro o resumem. John Nicholas Lenker deu a seu livro, Escritos Catequéticos de Lutero um primeiro subtítulo:
O CHAMADO DE DEUS AO ARREPENDIMENTO, FÉ E ORAÇÃO

Seu segundo subtítulo é:
O PLANO DE SALVAÇÃO DA BÍBLIA EXPLICADO POR LUTERO

O Catecismo nos chama ao arrependimento. Ele nos chama a crer. Ele nos chama a orar.
Depois do ministério Pastoral de Palavra e Sacramentos, o Catecismo e a Liturgia são os compromissos mais recorrentes dos crentes com as verdades da Escritura, que são capazes de fazer alguém, desde a infância, ter “a sabedoria que leva à salvação, por meio da fé em Cristo Jesus.” (2Tm 3.15)
Joseph Stump disse: “Catequização… não deve ser uma simples instrução intelectual, mas treinamento para a vida cristão de fé.”
Albrecht Peters escreveu:
O catecismo basicamente. … Deseja tornar central a Escritura… fecunda para a vida diária. Ao fazer isto ele enraíza profundamente em nós o que é decisivo na vida e na morte para nossa salvação. … Uma vez ou outra ele nos impressiona pelo fato desta verdade ser tão pequena e ao mesmo tempo este “pequeno” ser infinito.

Em sem prefácio para o Catecismo Maior Lutero falou sobre os muitos pastores e teólogos que eram preguiçosos quanto ao uso do Catecismo. Por seu exemplo, eles levavam o povo também à preguiça. E assim Lutero deu razões ainda maiores da necessidade de ler o Catecismo, memorizá-lo, recitá-lo, e orar usando o catecismo. Lutero disse:
Mas para mim mesmo eu digo isto: eu também sou um doutor e pregador, sim, tendo aprendido e experimentado como todos aqueles podem ter tal presunção e segurança; eu ainda me faço como criança que está sendo ensinada no Catecismo, e a cada manhã, e sempre que eu tenho tempo, eu leio e digo, palavra por palavra, os Dez Mandamentos, o Credo, a Oração do Senhor, os Salmos, etc. E eu devo estudá-lo diariamente, mesmo assim, ainda não posso dominá-lo da forma que desejo, mas devo manter-me uma criança e aluno do Catecismo, e estou feliz por manter-me assim.”


O Catecismo mantém o ensino. Ele continua chamando ao arrependimento, fé e oração. Ele é uma mina com metais precisos que nunca pode ser completamente esgotada. É por isso que devemos memorizá-lo. Como Deus tem poder sobre as palavras do Catecismo, a Palavra de Deus ganha poder sobre nós, e nós recebemos tesouros inesgotáveis de arrependimento, fé e oração.

Tradução feita de um artigo publicado originalmente em: http://lutherancatechism.com/2016/02/why-memorize-the-catechism/

Tradução de Jarbas Hoffimann

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Amor e fidelidade

Vi uma matéria interessante, outro dia, sobre um evento ocorrido no Japão.
Japão é uma terra de cultura bastante diferente da ocidental, para dar um exemplo, basta saber que eles têm dois “alfabetos”. Um é usado para escrever palavras de origem japonesa e outro para palavras de origem estrangeira. Cada alfabeto tem 46 “letras”, mas como estas “letras” não contemplam todas as pronúncias, são acrescentados sinais às letras, transformando-as em outras. O “ha”, por exemplo, acrescido destes sinais, vira “ba”... E a gente complica até pra saber se “ele” ainda tem acento na língua portuguesa...
Mas o “alfabeto” só represeta 50% da escrita. Os outros 50% são representados com os “kanji”. Hoje existem cerca de 40 mil kanji. Estes símbolos expressão letras, ideias, e frases inteiras. E pra ser considerado alfabetizado você precisa conhecer os dois “alfabetos” e cerca de 2 mil “kanji”. E nosso povo não sabe nem se “k”, “w” e “y” fazem parte do alfabeto português...
Bem, isto foi apenas um dos detalhes para mostrar com este povo é diferente. Nem melhor, nem pior... Diferente.
Algo que sempre admirei nos japoneses é o respeito que eles demonstram por seus idosos, pelo relacionamento familiar e coisas semelhantes. Certamente têm problemas também, pois todas famílias os têm, mas demonstram muitas vezes que prezam tanto à família, a ponto de submeter a vontade própria ao bem coletivo.
Este submeter minha egoísta vontade ao bem dos outros é algo muito contraditório para nossa cultura e nosso momento político. Temos atualmente grupos políticos que querem fazer a sua vontade, mesmo que não seja para o bem do povo. Temos grupos políticos defendendo que o Estado sabe educar melhor do que os pais, por isso se limita os poderes dos pais em detrimento a um Estado com educação falida, que acha que sabe fazer alguma coisa. Mas a verdade é que o que acontece de bom na educação, onde acontece, é por esforço de nossos professores e diretores de escola, que muitas vezes são heróis nesta “pátriaeducadorafalida”.
Nós, como povo, esquecemos os valores básicos e o resultado está nas ruas... Nos menores abandonados... Nos drogados (o álcool ainda é a maior droga, mas temos jovens cantando que o legal é beber até cair... Que o legal é a garota beber e subir na mesa “piradinha”)...
Esta falta de educação e respeito ainda se reflete nos homens e mulheres que ignoram “aquilo que o padre falou” (como diria Raul) e fingem-se solteiros, pois na balada “ninguém viu ninguém” e o que “acontece na balada, fica na balada” (importação pobre e malfeita do jargão criado para “Las Vegas”).
Essa é a nossa “cultura”... Mas como disse, certa vez, Miguel Falabela: “Feliz dia da cultura, se é que podemos comemorar isso ainda neste país.”. E olha que ele disse isso uns 10 anos atrás, no dia da cultura.
E os japoneses? Bem, como disse acima, vi uma matéria interessante: “Japoneses gritam em público para declarar amor às mulheres em festival”. O título da matéria é errado. Não é o dia em que os “homens” dizem que amam as “mulheres”. É bem mais específico: é o dia de declarar amor à esposa. Pelo nono ano consecutivo o evento acontece.
Enquanto por aqui se diz que o legal é trair no escurinho, atrás do banheiro... Enquanto em rede nacional se idiotiza a população com programas que exaltam a bebedeira e a promiscuidade... Lá, em rede nacional, se declara amor à esposa. Diga-se de passagem, eu nem sei se teria coragem de gritar isso numa TV, sou tímido para isso, mas aqui escrevo, com orgulho: nem mereço a esposa que tenho e a amo mais do que sou capaz de explicar em palavras... Tenho orgulho deste sentimento. Um sentimento que vai além a paixão. Paixão costuma ser inconsequente (e precisamos dela também, de vez em quando), mas o amor é mais que isso. É mais do que a sensação erótica (que também é necessária num casamento). Amor é algo inexplicável e independe da atividade sexual e dos arroubos da paixão. Só quem desfruta do amor verdadeiro vai entender como um casal consegue discutir, ter visões diferentes e, ainda assim, se respeitar profundamente. Não foi à toa que o amor foi chamado de o “dom supremo” em 1º Coríntios 13, estando acima de todos os outros dons. E Renato Russo, inspirado neste texto bíblico, cantou: “sem amor, eu nada seria.”
Não esperem ver este amor na TV, ele não “dá ibope”. O que as pessoas querem ver são casais se destruindo. Parece que destruir a felicidade do outro, torna as pessoas menos infelizes com sua incapacidade de ser feliz. Na mídia é todo mundo pegando todo mundo, porque “ninguém é de ninguém”. Bobagem... Apesar de negarmos, queremos pertencer a alguém, assim como eu sou da minha esposa e ela é MINHA esposa. Pertencemos um ao outro e isso é ótimo. Sentir-se pertencente a algo ou alguém é muito importante. É como uma criança, que sempre sabe de quem ela é filha e sabe pra onde correr nos momentos de insegurança. Pertencer a algo ou alguém nos dá segurança. Sempre teremos a “minha casa” para voltar. Mas neste mundo em que todos parecem estar em festas… A ressaca vai ser grande e, talvez, dessa vez não tenha mais cura. Cuidado. Não esqueça de sua esposa, família, namorada por causa de “uma noite de carnaval”...
Os cristãos pertencem ao Senhor Jesus e suas vidas serão dedicadas a ele. Pertencemos ao ministério de amar profundamente o próximo, assim como fomos amados por Deus. Que tenhamos cada vez mais orgulho do amor verdadeiro e cada vez mais vergonha das letras desses arroxas e funks que se canta cada vez mais em alto volume...


Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas, @pastorjarbas)